Como se preparar para a segunda fase de concursos jurídicos: provas discursivas, sentenças e peças práticas

Terça, 20 de outubro de 2026 Leitura: 9 min

Como se preparar para a segunda fase de concursos jurídicos: provas discursivas, sentenças e peças práticas

A segunda fase dos concursos da Magistratura e do Ministério Público é a etapa das provas escritas: questões discursivas e, conforme a carreira, sentenças (Magistratura) ou, quando o edital prevê, peças práticas (MP). Para passar, você precisa trocar o estudo de reconhecimento, típico da prova objetiva, pelo treino de produção: escrever respostas fundamentadas e redigir peças completas, no tempo de prova.

Em resumo:

  • A segunda fase avalia se você constrói a resposta sozinho, não se reconhece a alternativa certa.
  • Na Magistratura, ela é formada por uma prova discursiva e uma prova prática de sentença.
  • No Ministério Público, traz questões discursivas e pode exigir peças de atuação do promotor, conforme o edital.
  • O ENAM não faz parte da segunda fase: é um exame objetivo, anterior ao concurso e exclusivo da Magistratura.
  • A preparação deve cobrir todas as disciplinas do edital, com teoria e prática na mesma rotina.

Qual é a diferença entre a segunda fase da Magistratura e a do Ministério Público?

As duas carreiras cobram provas escritas na segunda fase, mas com objetivos diferentes: a Magistratura avalia quem vai julgar, e o Ministério Público avalia quem vai acusar, fiscalizar a lei e defender interesses coletivos.

E o ENAM?

O Exame Nacional da Magistratura (ENAM) não é uma fase do concurso. É um exame nacional de habilitação, apenas com prova objetiva, feito antes da inscrição e exigido somente para as carreiras da Magistratura, conforme a Resolução CNJ nº 531/2023. Quem é aprovado pode se inscrever nos concursos de juiz durante o prazo de validade da aprovação. No Ministério Público, não existe exame equivalente.

Em ambas as carreiras, a Constituição exige três anos de atividade jurídica para o ingresso (arts. 93, I, e 129, § 3º).

O que muda da primeira para a segunda fase?

Na prova objetiva, você reconhece a resposta certa entre alternativas. Na segunda fase, você constrói a resposta do zero, e a banca avalia tanto o conteúdo quanto a forma de apresentá-lo.

Isso exige seis habilidades que a prova objetiva não treina:

  • Identificar os problemas jurídicos escondidos no enunciado.
  • Selecionar os fundamentos legais, doutrinários e jurisprudenciais pertinentes.
  • Organizar o raciocínio em sequência lógica.
  • Argumentar com precisão técnica.
  • Administrar o tempo e o espaço de resposta.
  • Responder exatamente ao comando da questão, sem desviar.

É comum o candidato dominar um tema e, ainda assim, perder pontos por não conseguir expressá-lo por escrito. Por isso, a teoria precisa vir acompanhada de treino no formato da prova.

Como estudar para as provas discursivas?

Combine aprofundamento teórico com redação frequente de respostas, corrigidas a partir do espelho da banca sempre que ele existir.

Estude os fundamentos, não só as conclusões. O examinador costuma pedir por que uma solução se aplica, quais são as divergências entre STF, STJ e doutrina e como o instituto funciona no caso concreto. Estude as conexões entre dispositivo legal, princípio, jurisprudência e doutrina.

Treine com um roteiro fixo. Antes de escrever cada resposta, responda a cinco perguntas:

  1. Qual é a questão jurídica central?
  2. Quais fundamentos precisam aparecer?
  3. Existe controvérsia relevante?
  4. Qual é a conclusão, em uma frase?
  5. A resposta atende a todo o comando?

Use uma estrutura simples. Identifique a questão, apresente os fundamentos e conclua. A extensão deve seguir o comando, o espaço disponível e o tempo de prova; respostas longas não valem mais por serem longas.

Como se preparar para a prova de sentença na Magistratura?

Sentença se aprende redigindo sentenças completas, no tempo de prova, e comparando o resultado com um modelo corrigido. Assistir a aulas ensina a técnica, mas não substitui a prática.

Sentença cível

A banca verifica se você consegue:

  • Enfrentar as questões processuais e preliminares antes do mérito.
  • Organizar a análise de cada pedido e causa de pedir.
  • Valorar fatos e provas do caso.
  • Aplicar corretamente o Direito Material e o Processual.
  • Construir uma fundamentação coerente, como exige o art. 489 do CPC.
  • Redigir um dispositivo compatível com a fundamentação.

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Sentença criminal

Além da estrutura (relatório, fundamentação e dispositivo), a sentença criminal exige análise de materialidade, autoria, tipicidade, ilicitude e culpabilidade e, em caso de condenação, a dosimetria da pena no sistema trifásico do art. 68 do Código Penal.

Dica prática: treine partes da sentença em dias diferentes (só preliminares, só dosimetria, só dispositivo) e faça periodicamente uma sentença completa, no tempo de prova.

Como se preparar para as peças práticas do Ministério Público?

Nem todo concurso do MP tem uma peça prática fixa. No MPRJ, o edital do 39º concurso prevê que, nas provas escritas especializadas, o candidato pode ser chamado a elaborar promoções, pareceres ou outras peças processuais ou extraprocessuais. Já no MPMG, o edital de 2023 previa uma peça processual ou dissertação em cada prova especializada. Por isso, a primeira leitura é sempre a do edital.

Quando houver peça, o primeiro passo é identificar qual peça o enunciado pede e qual é a posição do promotor no caso. Depois, a peça precisa cumprir os requisitos legais e terminar com pedidos claros.

  • Conheça a estrutura de cada peça. A denúncia, por exemplo, deve conter a exposição do fato criminoso, a qualificação do acusado, a classificação do crime e, quando necessário, o rol de testemunhas (art. 41 do CPP). A ação civil pública segue a Lei nº 7.347/1985.
  • Treine a escolha da peça. Muitos candidatos perdem pontos por redigir a peça errada. Diante de cada caso, pergunte qual é o momento processual e qual providência o promotor deve tomar.
  • Fundamente e peça com precisão. A banca avalia se os pedidos decorrem da fundamentação e se nenhum pedido necessário ficou de fora.

Como organizar a rotina de estudos para a segunda fase?

Monte um ciclo com todas as disciplinas do edital e, em cada sessão, reserve tempo para teoria e para prática. A segunda fase pode cobrar qualquer matéria do programa, então nenhuma disciplina deve ficar de fora do ciclo.

Na Magistratura estadual, por exemplo, o programa costuma incluir Direito Civil, Processual Civil, do Consumidor, da Criança e do Adolescente, Penal, Processual Penal, Constitucional, Eleitoral, Empresarial, Tributário, Ambiental e Administrativo, além de noções gerais de Direito e formação humanística. Confira sempre a lista no edital do seu concurso.

Uma exemplo de como distribuir uma sessão de 4 horas, para quem concilia estudo e trabalho:

Disciplinas que aparecem com frequência nas sentenças e peças (como Civil, Processo Civil, Penal e Processo Penal) podem voltar ao ciclo mais vezes, sem que as demais sejam abandonadas.

Como os cursos isolados do RJ Plus ajudam na segunda fase?

Os cursos isolados do RJ Plus oferecem formação de base com o aprofundamento necessário para enfrentar todas as etapas do concurso, da prova objetiva às provas escritas. Eles atendem candidatos de todos os níveis: quem está começando a preparação e quem precisa reforçar disciplinas específicas.

Você escolhe as disciplinas, os professores e o ritmo, e monta uma preparação de acordo com o edital que vai enfrentar.

Menos excesso. Mais estratégia.

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Perguntas frequentes sobre a segunda fase

Qual é a diferença entre a segunda fase da Magistratura e a do Ministério Público?

Na Magistratura, a segunda fase tem uma prova discursiva e uma prova prática de sentença. No Ministério Público, as provas escritas trazem questões discursivas e podem exigir peças de atuação do promotor, como denúncia, parecer ou ação civil pública, conforme o edital.

O ENAM faz parte da segunda fase?

Não. O ENAM é um exame objetivo nacional, feito antes da inscrição no concurso e exigido apenas para a Magistratura. A segunda fase só começa depois da aprovação na prova objetiva do próprio concurso.

Quantas sentenças caem na segunda fase da Magistratura?

A Resolução CNJ nº 75/2009 prevê, na segunda etapa, uma prova discursiva e uma prova prática de sentença. Na prática, os editais da Justiça Estadual costumam pedir uma sentença cível e uma criminal. Confira sempre o edital do tribunal.

Quais peças podem cair na segunda fase do Ministério Público?

As mais comuns são peças de atuação do promotor, como denúncia, alegações finais, recursos, ação civil pública e pareceres. A lista exata depende do edital de cada MP. No MPRJ, por exemplo, o edital do 39º concurso fala em promoções, pareceres e outras peças processuais ou extraprocessuais.

Qual é a melhor forma de treinar questões discursivas?

Resolva questões de provas anteriores da mesma banca, no tempo e no espaço da prova, e compare sua resposta com o espelho de correção. Correção individual por professor acelera a evolução.

Cursos isolados servem para quem está começando?

Sim. Os cursos isolados do RJ Plus oferecem formação de base com aprofundamento, o que atende tanto quem está começando quanto quem já estuda há mais tempo e quer reforçar disciplinas específicas.

Fontes

Palavras-chave: segunda fase concursos jurídicos, prova discursiva, sentença, peça prática, Magistratura, Ministério Público